A MP dos Portos foi aprovada na Câmara depois de longas sessões que vararam a madrugada e com urlampla resistência do PMDB em vários pontos do texto

BRASÍLIA, 21 Mai (Reuters) – Depois de enfrentar o governo durante a votação da Medida Provisória dos Portos, a bancada do PMDB se reúne nesta terça-feira e a tendência é que os deputados trabalhem para a redução da tensão com o Palácio do Planalto, sem deixar, porém, de cobrar um melhoria no relacionamento.

Deputados ouvidos pela Reuters avaliam que a atuação do líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ), foi “muito boa” porque uniu os descontentes do partido, mas dizem que agora é hora de acalmar os ânimos, porque o recado ao governo já foi dado.

A MP dos Portos foi aprovada na Câmara depois de longas sessões que vararam a madrugada e com ampla resistência do PMDB em vários pontos do texto.

Apesar disso, o governo conseguiu aprovar o novo marco regulatório do setor portuário a poucas horas da perda da validade da medida provisória.

Durante a tramitação e mesmo depois, Cunha e integrantes do governo trocaram acusações. O líder peemedebista foi apontado como arquirrival nas votações do plenário da Câmara, e ele dizia que as dificuldades na MP dos Portos eram decorrentes da falta de articulação política do Palácio do Planalto.

O deputado Danilo Forte (PMDB-CE), que no ano passado liderou um movimento de descontentes da bancada e chegou a divulgar um manifesto contra o tratamento que os parlamentares recebiam do governo, disse que a MP dos Portos deixou “cicatrizes” na relação, e que tanto o Executivo como o PMDB tiraram ensinamentos do episódio.

“O PMDB aprendeu que precisa ceder no momento certo e que tem que ter unidade na bancada e ir à exaustão no debate”, afirmou à Reuters.

Já o governo, na avaliação de Forte, “não vai mais ser tão arrogante” depois da MP dos Portos e percebeu que “é preciso mudar a relação com os aliados”.

“Nada do que foi será do jeito de que já foi um dia”, disse o deputado parafraseando uma música do cantor Lulu Santos.

O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), que também já chegou a pedir formalmente ao então líder da bancada e atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), que o partido adotasse uma postura mais independente no ano passado, diz que a votação da semana passada foi “uma batalha”, mas os peemedebistas não devem ter uma relação de “guerra” com o Palácio do Planalto.

Segundo ele, o problema da relação do governo com o PMDB e os aliados é antigo, mas chegou num “clímax” durante a votação da MP dos Portos.

“A insatisfação (com o governo) passa todo o PMDB, menos para alguns que estão no cume da cúpula do partido”, disse Castro. Ele também critica a postura dessa cúpula que não atende os interesses da bancada.

“Estamos nos sentindo órfãos”, reclamou.

Apesar das reclamações ele deve defender na reunião da bancada que seja restabelecido o diálogo com o governo depois da aprovação da MP dos Portos, porque avalia que não tem sentido continuar brigando com o Palácio do Planalto tão perto do período eleitoral.

Há duas semanas, a presidente Dilma Rousseff disse ao vice-presidente Michel Temer que mudaria sua relação com os aliados a fim de se aproximar mais do Congresso e evitar que a insatisfação contaminasse seu projeto de reeleição no ano que vem.

Fonte: Reuters