Especialista aponta os principais projetos de 2015 ligados ao SPED e também analisa a melhor forma de encará-los

Em implementação desde 2006, o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) é um case de sucesso mundial em tecnologia, com a fiscalização digital dos tributos mais representativos na arrecadação. Desde sua concepção, os módulos do sistema vêm sendo sucessivamente exigidos, mantendo as empresas preocupadas em melhorar constantemente a qualidade das informações prestadas eletronicamente às autoridades tributárias, fiscais, trabalhistas e previdenciárias.

O planejamento é a grande ferramenta na área. Diante do cenário econômico atual e dos desafios do SPED para este ano, trata-se de aspecto essencial para escolhas estratégicas que garantam o cumprimento completo e seguro dos projetos, em sintonia com o melhor custo-benefício.

Este será um ano chave para as empresas se prepararem frente ao aumento de escopo do SPED, envolvendo tanto a evolução na abrangência das informações a ser enviadas, quanto o consequente cruzamento dos dados que, neste ambiente, estarão à total disposição do Fisco.

Será que todos já perceberam os possíveis impactos trazidos para as empresas, com essas informações permanecendo por cinco anos à disposição dos Fiscos e seus sofisticados mecanismos fiscalizatórios, que evoluem exponencialmente ano após ano?

Vamos aos elementos-chave para este ano.

A Nota Fiscal do Consumidor eletrônica é um caso exemplar de obrigação com alto retorno para as empresas. O SPED chegou ao consumidor final, mas isso não deve ser visto apenas pela ótica de obrigação a ser cumprida, pois trata-se de um projeto rápido, capaz de eliminar processos burocráticos, reduzir custos e trazer ganhos ao salão de loja, causando uma excelente percepção de modernidade na hora da compra.

O Bloco K do SPED Fiscal reforçará a adoção das melhores práticas relacionadas aos controles sobre produção e estoque. Este projeto exige um minucioso estudo do ambiente produtivo e de estoque da organização, identificando-se os controles essenciais não só para o cumprimento da obrigação, mas também para a boa gestão.

Diferentemente do que muitos apregoam, atender a faceta trabalhista e previdenciária do SPED – o eSocial – requer da empresa focar, inicialmente, em seus processos e sistemas nestes campos. Sistemas só automatizam processos, por isso a preocupação inicial deve recair sobre a adequação da cultura e dos processos à nova sistemática, para depois automatizá-los com sistemas, a ordem de prioridades neste projeto deve ser esta.

A Escrituração Contábil Fiscal exigirá a busca incessante por compliance. Essa necessidade se enfatiza porque a ECF reflete minuciosamente os resultados da organização, devendo estar em sintonia e total acuracidade com seus processos, sistemas e outras escriturações.

O volume e a variedade de informações reunidas numa mesma base por conta do SPED não tem precedente. A empresa não pode mais atuar no mercado atual com paradigmas, processos e sistemas fiscais pré-SPED, sob pena de gerar riscos, despesas e, consequentemente, obsolescência mercadológica.

Mais do que nunca, o SPED exigirá a busca e a internalização de conhecimento em todos os processos e sistemas. Diante do alto nível de detalhamento e o grande número de informações exigidas digitalmente, toda organização deve se preparar para estas mudanças e contar com parceiros estratégicos dotados de conhecimento especializado e provedores de soluções tecnológicas modernas.

* Rogério Negruni é diretor-presidente da Decision IT S.A

Fonte: ComputerWorld