O combate à corrupção tem colocado a atuação de auditores no holofote da mídia. Um dos mais discretos trabalhos do mundo corporativo tornou-se crucial para a sobrevivência de empresas públicas e privadas, figuras estratégicas para um país mais justo. O perfil ideal desses profissionais passou a ser questionado, com exigências cada vez maiores, impostas pela alta administração e por stakeholders, que buscam protagonistas munidos de absoluta ética e capacidade de antecipar os mais complexos desafios. Esses predicados são hoje compulsórios, o que sugere uma tendência de termos cada vez mais organizações em constante investimento no combate à corrupção corporativa e de desvios de conduta.
O IIA (Institute of Internal Auditors), principal organismo da carreira no planeta, prega que o princípio básico do auditor é a ética. A entidade enfatiza, em seu livro chamado de IPPF – que traz as normas internacionais da profissão -, que aquele que não cumpre com os pilares éticos estabelecidos nessa publicação não pode ser considerado um auditor.
Demanda-se um profundo conhecimento técnico, mas também é enorme a exigência por um auditor mais humano, capaz de lidar com coerência, com desafios de prazos apertados e recursos escassos. É preciso aprimorar habilidades de comunicação, de persuasão, de senso crítico e ter discernimento isento, ao tratar de questões estratégicas com o responsável por cada área. Um profissional ético sabe que a necessidade de investir em certificações da carreira é eterna. São as atualizações que o tornarão competitivo, eficiente e apto a agregar valor aos stakeholders.
Mais que a análise contábil, o auditor moderno conhece o negócio da corporação em que atua com extrema profundidade. No último levantamento sobre o perfil profissional, promovido pelo IIA com mais de 14 mil auditores espalhados no mundo, o fator que mais destoou a América Latina das demais regiões foi justamente o conhecimento do negócio. Estamos 10% abaixo da Europa nesse quesito. Em contrapartida, quando falamos de persuasão e colaboração, estamos 25% acima da Ásia.
Decorrente do cenário político-econômico brasileiro, quando olhamos as habilidades que um diretor de auditoria busca ao contratar, vemos elevada dissonância. Na América Latina, a procura por auditores com técnicas em prevenção a fraudes e investigação é 50% maior do que o resto do mundo. Um fator cultural triste, mas extremamente necessário.
Após a sanção da Lei Anticorrupção, cresceu a demanda por auditores experts em compliance. Não basta verificar se os números contábeis estão íntegros e se os riscos de negócio estão sendo devidamente mitigados, o auditor do futuro tem que estar preparado para o inesperado e precisa de técnicas que lhe concedam a habilidade prever cenários complexos, para poder antecipar soluções se dias difíceis realmente forem inevitáveis.
A pressão por trazer a notícia ruim antes que ela aconteça tem se tornado tônica na rotina de auditores. Ter habilidades em Data Analytics é hoje um diferencial na carreira, e em breve será exigência de mercado. Essa plataforma digital de auditoria é parceira da ética, pois reduz as margens para desvios de conduta ao envolver menos “mãos” nos processos.
De um profissional que apenas checava demonstrações financeiras, o auditor interno é hoje um dos responsáveis pelo sucesso ou falência de uma organização. O ganho de responsabilidade reflete a imagem de seu papel social. É preciso preparar-se para as evoluções técnicas, mas a integridade de suas ações é o valor que mais precisamos nos dias de hoje. O Brasil deve reduzir a corrupção corrosiva, e o auditor é peça fundamental de auxílio neste momento crítico em que vivemos.
Artigo por Fabio Pimpão – Diretor do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil

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