Eleita, no início de janeiro, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado (CRCRS), Ana Tércia L. Rodrigues destaca que entre seus principais propósitos estão a busca por maior valorização profissional através de uma campanha. Além disso, Ana pretende usar sua expertise como professora universitária para ampliar o diálogo com os jovens e atraí-los às ações do conselho.
Segundo a contadora, primeira mulher a assumir a presidência da entidade em 70 anos desta, suas características de liderança devem contribuir para trazer um novo vigor e olhar à organização. “A pessoa que está no comando da entidade tem papel de trazer um olhar para a entidade através da sua forma de posicionamento, de sua postura. Nesse sentido, eu realmente acredito que deve haver um novo olhar para o conselho”, reflete Ana.
JC Contabilidade – Você acredita que, por ser mulher, jovem, o CRCRS deve passar por um processo de renovação?
Ana Tércia L. Rodrigues – Eu acredito que haverá uma mudança de perfil. A gente fala muito na questão de gênero e o que realmente representa ter uma presidente mulher dentro de uma entidade como o conselho, que é uma instituição com perfil mais conservador, mais tradicional. Eu queria inicialmente garantir que toda a seriedade, todo o protocolo que o conselho segue nas suas reuniões, na sua forma de atuar está sendo mantido. O objetivo é trazer um novo vigor, a fim de mexer um pouco com a forma como as pessoas enxergam o conselho. Queremos desmistificar a impressão de algumas pessoas sobre o CRC de que a entidade só cobra anuidade, fiscaliza e não garante nada em troca.
Contabilidade – O fato de atuar na universidade deve ajudar a ampliar o diálogo com esse nicho que está em formação ou entrando no mercado de trabalho?
Ana – Talvez pelo fato de estar dentro da universidade em contato com o público mais jovem, recém-entrando na profissão, eu realmente tenha uma linguagem mais próxima. Além disso, temos uma equipe de conselheiros bastante renovada quantitativamente. Entraram muitas pessoas jovens, inclusive do CRC Jovem, no nosso plenário, e esperamos que não só através de mim, mas de toda essa nova composição, consigamos realmente achar a linguagem adequada para conversar com esse um número bem significativo de profissionais que integram os quadros do conselho. Também buscamos manter uma interlocução forte com entidades empresariais em geral, além das contábeis.
Contabilidade – Esse contato com entidades empresariais faz parte também da busca por maior valorização profissional entre empresários, da defesa do contador enquanto um aliado na gestão? Há pouco tempo, você também participou de um webinar, vocês vão buscar fortalecer novos canais de comunicação com o público em geral?
Ana – Sim, nós temos uma área no conselho que é a Vice-Presidência de Relações Institucionais, em que o objetivo é abrir o leque para fazer contatos, parcerias, reuniões e tentar achar a interlocução correta que podemos ter com cada segmento da sociedade, com a indústria, área de comércio, setores mais sociais, de voluntariado, entidades empresariais e com a imprensa. Então nossa ideia é ter um olhar que não limita, que não fica focado só naquilo que tem conexão óbvia com a contabilidade. A contabilidade é uma área de conhecimento presente em todos os segmentos da sociedade. Nós temos que tentar mostrar a todas as pessoas que o contador pode ser um profissional parceiro de qualquer negócio, independentemente do porte, na busca por um investimento, por uma orientação na hora de fechar um negócio e até na hora de fazer mudanças estratégicas. Para isso, estou esboçando uma campanha, que planejamos divulgar ao longo da primeira fase de nossa gestão, com o intuito de mostrar que a contabilidade serve para muito mais do que se imagina. Com isso, conseguimos criar muito mais oportunidades de negócios para todos.
Contabilidade – Os micro e pequenos negócios são nichos a serem mais explorados pelos profissionais?
Ana – Historicamente, quem se utilizava da figura do contador era o grande empresário, aquela pessoa com muito dinheiro, muitos negócios. As pessoas que não contam com patrimônio tão significativo, na própria opinião, a ponto de precisar recorrer a um contador acabaram ficando distantes. Normalmente, elas lembram do contador apenas na hora de fazer Imposto de Renda, quando lembram, mais porque querem correr menos riscos de cometer erro ou porque querem fazer uma destinação. A aproximação com esses clientes talvez revigore a nossa profissão e abra muito mais atividades de trabalho. A grande verdade é que nós todos vamos passar a vida inteira pagando impostos, fazendo Imposto de Renda, e não conhecemos o que pagamos. O cidadão não conhece tributos e outros temas que fazem parte do seu cotidiano, e a contabilidade é uma área que pode ajudar na vida dessas pessoas.
Contabilidade – Como você pretende informar e formar os profissionais para um dos grandes desafios da classe, a adaptação às novas ferramentas tecnológicas?
Ana – A inovação tecnológica é um mote da nossa gestão, e precisamos trabalhar forte através de cursos e treinamentos com profissionais especializados para saber o que o mercado oferece, de que forma o escritório de contabilidade pode se beneficiar da tecnologia, o que o contador precisa estar sabendo e o que ainda vem por aí. Nós precisamos estar na vanguarda para podermos repensar a profissão, pois somos muito afetados pela tecnologia e, inclusive, há pessoas que não vão conseguir acompanhar as mudanças que estão vindo e continuar no mercado. Penso que, quanto antes a gente consiga desenvolver consciência sobre o uso das ferramentas e da tecnologia e de que forma isso vai impactar no nosso segmento, melhor será para todo mundo. Pretendemos investir em eventos e também em atividades que levem esse reflexão adiante. Um dos meus principais objetivos é trabalhar com o tema da inovação tecnológica em todos os sentidos para que a gente esteja sempre na vanguarda dos acontecimentos e não na retaguarda.
Contabilidade – Outra questão nova que deve ser bastante discutida em 2018 diz respeito à contabilidade de partidos políticos e candidatos, tendo em vista que teremos eleições. Esse é um assunto relativamente novo para os profissionais? O CRC planeja tratar desse tema?
Ana – A cada eleição, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) vêm se tornando mais rígidos nas exigências das prestações de contas dos partidos políticos e dos candidatos. Nós (contadores) temos um compromisso cada vez maior com a transparência dos recursos arrecadados nas campanhas, no combate a desvios, à utilização indevida de recursos e aos famosos recursos não contabilizados. Para que isso não venha a criar um problema depois para os candidatos, não gere processos e a sociedade se sinta mais confiante em participar de um pleito sabendo que essas questões estão sendo bem controladas. É importante que a contabilidade esteja preparada, desde antes de deflagrado o processo eleitoral.

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