Estímulos externos e horizontes claros, especialmente em termos de políticas econômicas e fiscais são fundamentais tanto para criação de novas empresas quanto para o empreendedorismo empresarial, que ocorre quando a inovação e a abertura de frentes alternativas de negócios são adotados por uma companhia consolidada. E para três gestores que ontem fizeram palestra em reunião-almoço da Federasul, 2019 será promissor para ambos os casos.

Com o tema Empreendendo no Novo Cenário Brasileiro pós-eleições, a entidade reuniu Emerson Vontobel (presidente da CVI Refrigerantes), Cristine Grings (presidente da Picadilly) e Pedro Coutinho (CEO da GetNet) para falar de suas experiências e expectativas para o futuro. Vontobel, que responde pela distribuição da Coca-Cola em cerca de 200 cidades gaúchas, destacou o valor do erro e daquilo que não deu certo para se alcançar um negócio de sucesso.

Sobre o passado, citou exemplo de projetos antigos, que não perduram, como parte do processo natural de crescimento. Sobre o futuro, disse acreditar em diferentes variáveis favoráveis ao ambiente brasileiro de negócios já consolidados ou em formação. “Creio que teremos, com o novo governo, menos amarras legais, que hoje atrasam processos empresariais”, avalia o empresário.

No campo do empreendedorismo empresarial, Vontobel ressaltou a aposta da CVI Refrigerantes como investidor anjo na Delivery Much. A startup de Santa Maria, de entrega de alimentos em cidades do Interior, já atende cerca de 140 cidades brasileiras. Segundo o empresário, há mais 700 municípios para entrar no radar.

Na sequência, quem falou sobre inovações em uma empresa consolidada foi Cristiane Grings, há quase quatro anos no comando da Picadilly. Neste ano, a fabricante começou a apostar em lojas com a marca da indústria, em sistema de franquias, com duas unidades abertas em Porto Alegre desde outubro. Outro projeto que saiu do papel foram os quiosques próprios da nova marca de sapatilhas So.Si. Já para 2019 a empresa mira mais longe.

“Uma das nossas apostas está nos Estados Unidos, onde ainda estudamos o modelo de ingresso, se por vendas em rendes multimarcas ou lojas próprias. O mercado externo já representa 30% do nosso faturamento, a maior”, antecipa Cristiane.

Sobre a mudança no comando da Picadilly, que em 2015 passou às mãos da terceira geração da família e acelerou a profissionalização, disse que os motivos da mudança servem, em algum momento, para qualquer empresa. “Não mudamos porque o que foi feito estava errado. Mudamos porque o mercado muda e rápido. O que nos fez chegar aos 63 anos certamente não é o que nos fará chegar ao 100”, alerta a empresária.

Para o CEO da Get Net, a atual taxa Selic em 6,5% a.a é uma boa oportunidade para acessar recursos e empreender com menos custos. E Coutinho não acredita em alta expressiva. “Não tínhamos uma taxa tão baixa desde 1948, e isso não deve mudar muito”, opina o CEO. A GetNet, criada no Rio Grande do Sul no setor de máquina de pagamento e posteriormente vendida ao Santander, hoje atua também no e-commerce. A empresa investe no segmento de serviços de gestão de negócios online e meios de pagamento, com foco no empreendedorismo, de grande e pequeno porte.

A GetNet desenvolve desde sistemas de compra de combustível com milhagens, para a Shell, até a criação de lojas virtuais com custo inicial de R$ 39 de mensalidade. A diversidade faz parte do que Coutinho avalia ser o alvo dos novos empreendedores. Ele destaca que a tecnologia tem que ser usada para entender e solucionar as coisas, independentemente do segmento de atuação da empresa, mas sem complexidade.

Fonte: Jornal do Comércio

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