No início de 2018, a revista Veja publicou uma matéria com o título “Elas vão substituir você”, na qual apresentava profissões que seriam substituídas pelas máquinas, deixando milhões de humanos desempregados até 2030.

A matéria trouxe dados do relatório “The Future of Employment”, de 2013, dos economistas Carl Benedikt Frey e Michael A. Osbone, ambos da Universidade de Oxford, que examinaram como os empregos são suscetíveis à informatização.

De acordo com as estimativas dos pesquisadores, cerca de 47% do emprego total dos EUA estão em risco. E dentre elas consta o contador, com probabilidade de extinção de 94%. Esse dado suscitou críticas do Conselho Federal de Contabilidade – CFC (https://cfc.org.br/noticias/cfc-envia-carta-a-revista-veja-e-contesta-dados-da-reportagem-elas-vao-substituir-voce/), que enviou carta à revista Veja destacando que “essa previsão fatalista é, em nossa visão, uma demonstração de desconhecimento da importância de nossa profissão no presente e no futuro”.

Temos visto constantemente, no entanto, o lançamento de inúmeras soluções tecnológicas, sendo que algumas até prometem eliminar os departamentos fiscal, contábil e financeiro das empresas (http://www.primeaction.com/noticia_setorial/fintech_promete_eliminar_os_departamentos_fiscal_contabil_e_financeiro_das_empresas).

Da mesma forma que entendo como alarmista a previsão dos pesquisadores de Oxford, também desconfio de algumas soluções que são apresentadas, especialmente com o uso de inteligência artificial.

Mas o fato é que muitas atividades que consumiam um grande esforço de profissionais da contabilidade, como identificar a tributação de um produto, já podem ser feitas em poucos segundo, com o uso de AI (https://computerworld.com.br/2018/09/21/busca-legal-cria-chatbot-de-tributacao-com-ibm-watson/).

E mesmo atividades criativas têm sido impactadas com o uso das novas tecnologias. Temos até músicas sendo compostas com o uso de inteligência artificial (https://mixmag.com.br/feature/inteligencia-artificial-cresce-na-musica-e-faz-parte-do-futuro-da-industria).

Ou seja, não são apenas as atividades repetitivas, que em geral não agradam mesmo os humanos, que serão impactadas. E é diante deste cenário, que nos lembra a visão apocalíptica dos filmes de Hollywood, que vem a dúvida sobre quem sairá vencedor.

E neste ponto, concordo com a visão de Erik Brynjolfsson, diretor do Centro de Negócios Digitais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em entrevista à Revista Veja, o pesquisador citou um torneio de xadrez, daqueles denominados freestyle, em que competem três categorias: computadores, enxadristas e enxadristas que jogam com a ajuda de computadores.

Conforme Brynjolfsson: “Quem ganhou a competição foi uma equipe de jogadores amadores que utilizou três computadores comuns. A capacidade de fazer com que as máquinas calculassem para eles a efetividade de cada posição no tabuleiro e suas consequências foi definitiva para o resultado. Isso mostrou que a combinação mais eficaz era a de humanos que, mesmo não sendo excepcionais no jogo, sabiam usar as máquinas a seu favor. Hoje, os “centauros” derrotam tanto os supercomputadores quanto grandes enxadristas que não têm suficiente habilidade para fazer a tecnologia trabalhar para eles.”

Nessa batalha, portanto, não adianta brigar com os robôs, é preciso tirar proveito das inovações. Precisamos ser os novos centauros da mitologia grega! E é por isso que vejo como muito positiva a ação do CFC, ao instituir uma comissão para acompanhar as mudanças tecnológicas e sua influência na profissão contábil (https://cfc.org.br/noticias/cfc-institui-comissao-para-acompanhar-as-mudancas-tecnologicas-e-sua-influencia-na-profissao-contabil/).

Já vimos na disputa entre motoristas de táxi e aplicativos, imobiliárias tradicionais e aplicativos de locação, atendimentos telefônicos tradicionais de SAC e os chatbots e diversos outros exemplos, que não basta se apegar apenas a questões regulatórias para evitar os impactos da tecnologia.

Fonte: Busca Legal

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