Foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (14/03) operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal (RFB) com o objetivo de combater organização criminosa que atuava na lavagem de capitais oriundos do tráfico internacional de drogas na cidade de Guajará-Mirim/RO.

As investigações apontam que grandes empresas comerciais-exportadoras de Rondônia estariam mantendo atividades secundárias ilegais de captação e administração de capitais, bem como intermédio, remessa e conversão de câmbio, direta ou indiretamente, de pessoas físicas que se dedicam à prática do tráfico de drogas e de outros crimes.

A partir de cruzamentos realizados pela Receita Federal, foi constatado ainda que as mesmas empresas estariam se utilizando irregularmente dos benefícios tributários destinados exclusivamente à Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim, retirando mercadorias da área beneficiada sem que os tributos devidos fossem recolhidos. Essas mercadorias abasteciam filiais das próprias empresas em diversas cidades de Rondônia ou eram revendidas diretamente para outros estados.

Projeções realizadas pela RFB estimam que entre os anos de 2009 a 2016 aproximadamente R$ 2 bilhões em mercadorias foram retirados irregularmente da área de livre comércio pelas empresas investigadas, com prejuízo aos cofres públicos, pelo não recolhimento de tributos federais, de aproximadamente R$ 300 milhões.

As investigações confirmaram, ainda, indícios do envolvimento das mesmas empresas e pessoas físicas que utilizaram as exportações de mercadorias lícitas para a Bolívia, para transferência de recursos financeiros de traficantes do Brasil para o pagamento de fornecedores internacionais de drogas daquele país.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de associação ao tráfico de drogas, evasão de divisas, lavagem de capitais e crimes contra a fazenda pública.

Foram expedidos pela justiça federal – subseção judiciária de Guajará-Mirim/RO – 72 mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos nos estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso, além do bloqueio judicial de valores em nome dos investigados, que gira em torno de R$ 70 milhões de reais.

O nome da operação é uma alusão à antiga moeda grega e à necessidade de seguir o rastro do dinheiro durante as investigações dessa natureza, analisando-se a dinâmica financeira estabelecida entre os investigados para se determinar o modus operandi e identificar os reais beneficiários do crime investigado.

Coletiva

O Auditor-Fiscal da Receita Federal Reriton Weldert Gomes, Delegado da Receita Federal em Porto Velho/RO, participará de entrevista coletiva às 11:00 a ser realizada na sede da Polícia Federal em Guajará-Mirim/RO.

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Fonte: RFB

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