Representantes de empresas exportadoras de suco de laranja participaram, em 16 de maio, de uma reunião de conformidade com a Receita Federal na cidade de São Paulo. A reunião é uma das etapas da Operação Citrus, que busca combater a sonegação de tributos na exportação de suco de laranja. O Fisco federal estima que R$ 500 milhões em tributos tenham deixado de ser recolhidos anualmente nos últimos cinco anos.

Entenda

Após fazer uma análise aprofundada e ter realizado fiscalizações em empresas do setor, a Receita Federal identificou que cerca de 85% das exportações de suco de laranja das maiores empresas do País eram destinadas a empresas do mesmo grupo sediadas no exterior. Como os preços praticados entre partes relacionadas não são negociados em mercado aberto, a legislação determina que eles sofram ajustes para que sejam equiparados aos preços praticados entre parceiros comerciais não relacionados.

No caso da exportação de suco de laranja, o Fisco detectou a prática de subfaturamento. Em algumas situações, o suco era exportado por valor até 30% menor que o preço de mercado praticado no exterior. Há fortes indícios de que essa prática tenha sido adotada por grande parte do setor. Isso pode ter resultado em uma omissão de R$ 12,5 bilhões em receita bruta nos últimos cinco anos, reduzindo o lucro declarado pelas empresas e o recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Preocupação internacional

A preocupação com os chamados “preços de transferência”, aqueles praticados entre partes relacionadas, não é apenas do Brasil. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as transações transfronteiriças intragrupos constituem uma parte significativa do comércio global e garantir que as regras tributárias aplicáveis sejam efetivas é uma prioridade na agenda internacional de tributação. Ainda de acordo com a OCDE, para os governos, os preços de transferência dizem respeito a como assegurar que os lucros tributáveis não sejam desviados artificialmente.

No caso do Brasil, a troca de informações com países da Europa e da América do Norte ajudaram a Receita Federal a identificar a sonegação. As operações com partes relacionadas estão entre as principais ações de fiscalização da Receita Federal em 2019, conforme o Plano Anual de Fiscalização. O objetivo é monitorar e evitar abusos em relação aos preços de transferência.

Próximos passos

Realizada a reunião com representantes do setor, as empresas têm 30 dias para realizarem a autorregularização em relação às situações ainda não fiscalizadas. Persistindo irregularidades, serão abertas ações de fiscalização.

Fonte: RFB

Comente aqui:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.