O crescimento consistente da economia só começará a ser avistado quando, aprovada a reforma da Previdência, o país der início a uma arrumação estrutural que contribua para aprimorar ainda mais o ambiente de investimento brasileiro. A reorganização previdenciária é o pontapé para o equilíbrio fiscal e o cumprimento do teto de gastos, mas não basta em si. Provoca a redução da velocidade das despesas com aposentadorias e pensões, sem contanto interrompê-la. O país precisará de ainda mais ousadia.

Não poderá faltar ânimo para a reestruturação tributária que simplifique as regras e reduza impostos. O empresário precisa de segurança jurídica, de saber onde pisa para, assim, confiar a aplicação de seu dinheiro e aquecer a economia. Desfeito o caos do sistema tributário, os investimentos externos também virão.

O avanço no programa de concessões de infraestrutura para o setor privado também é imprescindível para destravar nossos gargalos logísticos, importante passo para a aceleração da atividade econômica e para a retomada do emprego.

Os obstáculos se acumulam, porém não são intransponíveis se houver comprometimento com um projeto de Brasil que abandone a cultura do atraso, ainda tão impregnada na vida pública. Uma arrumação do Estado brasileiro é fundamental. Não haverá prosperidade sem o empenho por priorizar o interesse coletivo, com a racionalidade fiscal que passe a garantir efetivamente os direitos fundamentais dos cidadãos. O controle de novas contratações no serviço público e de salários é essencial. Só assim o acesso à saúde, à educação e a uma noção mais consolidada de cidadania terá espaço para se materializar.

Um Estado pautado pela força da eficiência passa a ter margem de manobra para se tornar mais competitivo, de olho no comércio exterior. As oportunidades estão postas, como a bem-vinda abertura propiciada pelo acordo entre União Europeia e Mercosul. A produtividade precisa ser estimulada, o que exige qualificação profissional que só será atingida com a educação sendo tratada como prioridade.

O governo federal deverá ser o protagonista na busca do consenso em torno dessas melhorias estruturais fundamentais. A guinada é urgente. A agenda é extensa e exigirá o comprometimento da sociedade.

Fonte: Gazeta Online

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