Em meio a estudos para reformulação da Receita Federal, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse, nesta quinta-feira, que o titular da secretaria, Marcos Cintra, “por enquanto está muito bem” e que ele permanece no cargo.

“Não, o Cintra por enquanto está muito bem. Ele só não está em Brasília essa semana porque fez uma cirurgia não sei do que em São Paulo”, disse Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada pela manhã.

Questionado sobre o motivo de dizer “por enquanto” ao se referir à permanência do secretário, desconversou. “Porque, sem problema, igual você comigo (em referência ao repórter). Por enquanto eu estou te atendendo, a partir de amanhã pode ser que eu não te atenda mais.”

A crise institucional envolvendo a Receita colocou em xeque a permanência de Cintra na chefia do órgão.

Depois que até Bolsonaro reclamou de uma suposta atuação política de auditores, o apoio a Cintra encolheu rapidamente. Integrantes do governo dizem que “falta comando” ao fisco e apostam que mudança de comando.

Diante do ataque de representantes dos três poderes à Receita, o órgão deverá ganhar uma blindagem institucional e pode ter suas atribuições fatiadas. O tema está sob estudo no Ministério da Economia, que pode transformar a secretaria em uma autarquia e separar a arrecadação da elaboração de políticas tributárias.

O ministério vive hoje um bombardeio direcionado a dois de seus órgãos: a Receita e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Incomodou a classe política e integrantes do Judiciário o fechamento de cerco feito recentemente a autoridades pelos dois órgãos.

As ações de Cintra têm desagradado em especial Bolsonaro, com quem já teve ao menos quatro desavenças desde o início do ano.Caso mais latente é a discussão sobre a criação do imposto sobre pagamentos, uma espécie de CPMF. Enquanto Cintra fala abertamente sobre o tributo, o presidente diz que seu governo não recriará a contribuição.

Seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é alvo de apuração que teve como base relatórios do Coaf e dados fiscais. Na visão do presidente, as investigações têm como objetivo atingi-lo indiretamente.

Fonte: Jornal do Comércio

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