A Polícia Federal deflagrou a operação Barriga Verde em Santa Catarina e Rio Grande do Sul para investigar movimentações irregulares no mercado de câmbio. A ação conta com a participação da Receita Federal e Ministério Público Federal.

Estão sendo cumpridos 22 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em Criciúma. Em SC, as ordens judiciais foram executadas em Florianópolis, São José, Criciúma, Garopaba, Imbituba, Urussanga e Itajaí. No RS, a ação ocorreu em Caxias do Sul, na Serra.

Cerca de 100 agentes da PF, além de membros do MPF e servidores da RF, foram mobilizados. As buscas aconteceram em endereços de pessoas físicas e jurídicas. Houve apreensão de documentos, dinheiro e até de armas, sendo duas espingardas e um revólver, além do sequestro de veículos e imóveis de luxo ligados às pessoas investigadas com o objetivo de impedir eventual esvaziamento do patrimônio acumulado de forma delituosa.

As investigações começaram a partir do recebimento de informações sobre movimentações atípicas envolvendo empresas atuantes no mercado de câmbio, os sócios dessas companhias e pessoas físicas e jurídicas relacionadas. Conforme a Polícia Federal, a principal empresa investigada, apesar de apresentar faturamento anual de cerca de R$ 7 milhões, movimentou uma quantia superior a R$ 1 bilhão entre 2013 e 2019.

Os agentes apuraram ainda a existência de diversos depósitos realizados por terceiros, em volume total superior a R$ 2 milhões, destacando-se transações com pessoas físicas que já possuíram vínculo empregatício com a empresa investigada. Os investigados, na medida de suas participações, poderão responder pelos crimes de operação ilegal de câmbio, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Conforme a Receita Federal, o trabalho investigativo começou a partir de elementos indicativos da existência de organização criminosa com sede na região de Garopaba, com movimentação financeira considerada suspeita pelo Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf). Uma casa de câmbio teria movimentado mais de R$1 bilhão, o que seria incompatível com sua capacidade financeira, além de registrar o recebimento de grande volume de dinheiro em espécie.

“Após o empreendimento de diligências, foi apurado que a organização se utiliza, em tese, de complexo esquema criminoso, que conta com a criação de diversos CNPJs para dissimular a existência de filiais, utilização de laranjas para ocultar os reais beneficiários das operações fraudulentas e uso de empresas em nome de terceiros com o intuito de lavar o dinheiro e blindar o patrimônio auferido com o esquema criminoso. Foram identificados fortes indícios de crimes contra o sistema financeiro, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas”, informou a Receita Federal.

Durante o cumprimento dos mandados, a Receita Federal identificou os beneficiários ocultos que enviaram recursos para a organização criminosa. As informações serão cruzadas com a base de dados da instituição. Valores com origem em sonegação ou outras origens ilícitas serão objeto de procedimentos fiscais com cobrança de multas de até 225%. Indícios de crimes serão reportados ao Ministério Público Federal, retroalimentando a investigação criminal.

Fonte: Correio do Povo

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